Mestre Miguel Corrula

Poema do Mestre Miguel Corrula, exposto numa das paredes do Dojo do C.A.C.O.

[O discurso que ficou por dizer, por falta de oportunidade, na I Gala Olímpica de Judo 2016, na graduação a 6.º dan de Miguel M. Corrula]

 

 

Sr. Presidente da Federação Portuguesa de Judo

Sr. Presidente do Comité Olímpico de Portugal

Atletas Olímpicos

 

Senhoras e Senhores

 

Meus Amigos

 

 

Quando a alegria se dilui na gratidão, ilumina-nos a alma, mas por vezes embarga-nos a palavra.

Com a alma iluminada, espero que a voz não venha a atraiçoar o meu discurso.

 

Não vou falar do Mestre Kiyoshi Kobayashi, porque já lhe dediquei, com os meus poemas, antes e depois da sua ausência, toda a minha gratidão.

 

 

I Gala Olimpica de Judo da FPJ

O judo no C.A.C.O. tem desde sempre o Mestre Miguel Corrula como responsável.

Licença federativa n.º 2777 e atualmente 6.º dan, o mestre começou a fazer judo para emagrecer, com 30 anos, e foi aluno de Kiyoshi Kobayashi, considerado o pai do judo português.

Em provas nacionais, e sempre pelo Judo Clube de Portugal, Miguel Corrula foi 20 vezes 1.º classificado, 6 vezes 2.º classificado e 2 vezes 3.º classificado e ainda finalista em campeonatos nacionais absolutos durante 5 anos seguidos.

Para além da competição, Miguel Corrula foi árbitro internacional de 1991 até 2000 e Presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Judo. É sócio de mérito da Associação Distrital de Judo de Lisboa.

O Mestre Miguel Corrula é sócio de mérito e Presidente da Mesa da Assembleia-Geral do C.A.C.O. e uma figura conhecida e estimada no bairro de Campo de Ourique.

A 29 de junho de 2016, na I Gala Olimpica de Judo da Federação Portuguesa de Judo, foi-lhe atribuido o prémio Judogui "Contributo de Excelência". Na mesmo ocasião, recebeu a Graduação de 6º dan, inteiramente merecida

Quarenta e sete anos para chegar a 6.º dan (1969-2016). Equivalente ao tempo que levaria a fazer 10 licenciaturas.

Dos 50 anos de casado, só 4 a minha esposa esteve fora das minhas histórias do judo. Desculpa pelas minhas ausências. Obrigado por quanto me ajudaste nos meus projetos e nos judogis que preparaste para eu vestir. Às segundas, quartas e sextas - judo; às quintas - reuniões de judo; aos sábados e domingos - arbitrar judo (ADJL, FPJ ou internacional). Às terças era o dia de lhe pedir desculpa.

E a preparação das coisas que fui fazendo ao longo destes anos?
 

Fui membro da direção do Judo Clube de Portugal, durante 4 anos.

Fui competidor com 20 primeiros lugares nacionais ganhos.

Fui tesoureiro da FPJ, 4 anos, fazendo também a sua contabilidade.

Sou treinador de judo há mais de 42 anos onde o judo só sobrevive por mérito próprio.

Fui presidente da Comissão Nacional de Arbitragem durante dois mandatos e outros tantos como vice-presidente.

Fui árbitro nacional, 35 anos.

Fui árbitro continental, 10 anos.

Fui um dos fundadores da Associação Nacional de Treinadores de Judo.

Sou sócio de mérito da Associação Distrital de Judo de Lisboa.

Fui treinador adjunto do Mestre Kiyoshi Kobayashi nos treinos da seleção no Clube Atlético de Campo de Ourique (C.A.C.O.).

 

Carreguei e montei tatâmis quando os campeonatos nacionais eram feitos no C.A.C.O.

A minha promoção a 6.º dan é o reflexo do trabalho feito em prol da modalidade.

Fiz de poeta, fiz de cantor e talvez de bobo, mas fiz muitos amigos.

Nunca fiz judo para dele me servir, mas para o servir com alegria e o melhor que sei.

Nunca exerci cargos remunerados pelo meu trabalho.

O esforço de todos nós é que dá força aos nossos campeões. Somos nós que alisamos o caminho das nossas estrelas.

 

Tenho pena que alguém tenha por mim alguma animosidade. Julgo que poderia ter orgulho do seu trabalho, porque fui fruto dos seus ensinamentos e foi esse senhor que me ensinou a lutar, motivando-me para estar aqui hoje. Eu tenho orgulho de ter sido seu aluno, Mestre Henrique Nunes. Não devemos esquecer que entre duas pessoas que não se entendem há sempre um belo jardim, que não devemos pisar, mas que podemos partilhar. Este momento também lhe pertence. Por isso, o meu agradecimento à sua pessoa.

Como o ancião na aldeia, que só usava em dias de festa um relógio que herdara dos seus antepassados, também este cinto irá ser usado com limitações, recordando sempre os amigos, as glórias e os momentos difíceis ultrapassados. Será para mim, sempre, um momento de alegria, de solenidade e de meditação. Serei sempre fiel aos valores que tal graduação me impõe.

 

A dignidade humana tem tanto mais valor quanto melhor sabemos respeitar as leis por nós criadas. Já Gandhi dizia que "o Homem tem de ser o espelho da mudança que propõe".

Fui de algum modo um homem bem-sucedido, mas prefiro aqueles que um dia conseguem fazer história. Fazer história é saber dar aos outros os seus conhecimentos, sem arrogância, com humildade, imbuído de amor. A capacidade de amar está na base da realização dos nossos sonhos, porque o amor provém da alma e não da inteligência. A luz não conhece a escuridão, ilumina-a e mostra dela o que ela oculta. O amor também ilumina a nossa inteligência, clarificando as nossas ideias.

A gratidão gera segurança. Um simples pensamento de gratidão é como uma oração, faz-nos mais humildes. Já Gandhi dizia que "orar é a respiração da alma".

Meus bons amigos, a minha alma também respira, graças ao amor que deu luz à vossa generosidade.


Muito obrigado a todos.

Miguel Monteiro Corrula

29 de junho de 2016

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